sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Livros por apenas R$ 10

Encontrar um livro que custe R$ 10 não é uma tarefa fácil. Mesmo se tratando de uma edição de bolso, o valor não é dos mais populares. Mas a proposta do Governo Federal é que isso seja possível. A presidenta Dilma Rousseff lançou, na abertura da 15ª Bienal do Livro do Rio de Janeiro, o Programa do Livro Popular (PLP) que pretende para fomentar a produção e a comercialização de livros a R$ 10,00.

A partir da próxima semana, haverá o cadastramento, por edital, dos livros populares pelos editores. As livrarias, bancas de jornal e outros estabelecimentos de varejo que queiram vender livros mais baratos serão convidados a se inscrever no programa. As bibliotecas estão sendo  cadastradas pelo Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas e convidadas a aderir ao PLP. Para elas, o Governo irá desenvolver o cartão-livro, com créditos de R$ 300,00 a R$ 15 mil para a compra dos livros.

O primeiro edital está previsto para ser lançado ainda em 2011. Serão R$ 35 milhões do Fundo Nacional de Cultura destinados à compra de quatro a cinco milhões de exemplares para as bibliotecas.

"Como amante do livro, posso assegurar que é uma experiência única poder ter o livro para ler em casa", disse a presidente, em discurso. O programa será gerido pela Fundação Biblioteca Nacional e a meta inicial é enriquecer o acervo das bibliotecas públicas e fomentar a produção do material a um custo mais baixo para a população.

Bienal em números


Os primeiros 11 dias de setembro no Rio de Janeiro estão dedicados à 15ª edição da Bienal Internacional do Livro do Rio. No período, o Riocentro deve receber nada menos que 640 mil visitantes. Desse público, 170 mil são crianças. A expectativa é que os 950 expositores vendam 2,5 milhões de livros, com um faturamento de R$ 50 milhões. No quesito atrações, são esperados 150 autores brasileiros e 23 estrangeiros, e a apresentação de mil novos títulos.

Livros na bicicleta

Imagine um triciclo equipado com um baú repleto de livros circulando pela cidade. Essa é a ideia da Bicicloteca, uma iniciativa do Instituto Mobilidade Verde, em São Paulo. O projeto tem como objetivo atender moradores de rua através do Movimento Estadual da População em Situação de Rua.


A ideia é que as pessoas retirem os livros - que contem títulos de Lima Barreto, Truman Capote e Graciliano Ramos, entre outros - e doem para outras pessoas quando concluírem a leitura. Antes de levar a Bicicloteca a alguma comunidade, o IMV realiza treinamento sobre como abordar as pessoas e formas menos burocráticas para a doação de livros.

Quer saber mais? Acessa www.institutomobilidadeverde.wordpress.com

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A rua em revista: lançamento da 6ª edição da Farol


Em sua sexta edição, a revista Farol, publicação da Prefeitura Municipal de Fortaleza, editada através de sua secretaria municipal de cultura, amalgama histórias de vida, cama, mesa e banho. De cama, ou melhor, sobre um jeito todo particular de deitar e dormir, quem fala é o vendedor ambulante Cícero Araújo Soares, que desde 1982 trança com as próprias mãos redes tarrafinhas vendidas a preços honestos na esquina da Praça do Ferreira.

De mesa, ou de como a culinária ensina a ver e “ler” o mundo, quem trata são as mulheres do Poço da Draga que aprenderam a soletrar cozinhando. De banho, ou de um jeito próprio de se higienizar e compor o visual, quem deixa escapar é o poeta errante Mário Gomes, cuja indumentária é mote para um exercício de compreensão acerca do belo e dos modismos vigentes.

Farol também passa em revista o que pode o riso quando desconectado dos clichês e do grotesco. De perto, ao vivo e em cores, alguns dos representantes do humor espontâneo e até ingênuo, aquele nascido e criado nas ruas, contam sobre o preparo de cada elogio à comicidade inteligente, tendo como principal ferramenta a reconhecida presença de espírito tipicamente cearense. Arrochando o nó do todo bem-humorado e em franco diálogo com a galhofa reinante, a entrevista do jornalista Xico Sá com o humorista Falcão é uma hilária conversa entre inspirados mestres da gaiatice cabeça-chata.

Do riso ao pesar é um passar de páginas. No dia de visitas do presídio feminino, Farol abriu passagem para os relatos de detentas e familiares, no esforço por captar a intensidade das poucas horas de contato direto entre o dentro e o fora. Um olho em quem se prepara para visitar e espera conviver novamente. Outro em quem está enclausurado e reinventa tempo e espaço. E toda a atenção voltada para o arsenal de sentimentalidades à solta, os claros e escuros extra-muros, comuns a todos. 

Comum a todos e demasiado humano também é o que resplandece à flor da pele de quem cultua e faz tatuagem. Supercoloridos e prenhes de significados, os corpos ilustrados estão no centro da reportagem de capa da revista Farol. São telas vivas em movimento exibindo imagens que valem mais do que mil palavras, potencialmente capazes de exteriorizar intimidades e subjetividades diversas.

Com lançamento marcado para a próxima sexta-feira, dia 02 de setembro, no Passeio Público, a sexta edição da revista Farol vem afirmar uma política de comunicação pública para a cultura voltada à valorização da memória e à difusão das narrativas e bens simbólicos dos moradores da cidade. Enfatizando as histórias de vida, a oralidade, as singularidades ignoradas pela chamada história oficial e as existências comuns soterradas em meio aos estereótipos da contemporaneidade, a publicação flerta justamente com a capacidade imemorial que cada indivíduo tem de narrar e narrar-se.

À luz da grande reportagem e do texto narrativo, próximo da crônica, a revista passa ao largo da agenda oficial da indústria do espetáculo e da cobertura meramente factual para dar visibilidade ao acontecimento atemporal e (extra)ordinário. Apostando na reinvenção da figura do repórter flâneur, o cronista andarilho para quem a cidade é uma espécie de caleidoscópio, e não uma massa de concreto amorfo, o foco recai justamente sobre a pulsação das ruas, a dinâmica interna dos bairros, os modos de viver, fazer, criar, pensar, festejar, trabalhar e transcender de grupos sociais e indivíduos que também reinventam o próprio cotidiano. Assim, Farol é um convite à polifonia das muitas cidades - visíveis ou não - que existem em uma só.

SERVIÇO: Lançamento da sexta edição da revista Farol. Dia 02 de setembro, de17h às 22h, no Passeio Público (rua Dr. João Moreira, s/n – ao lado do Forte Nossa Senhora da Assunção). Entrada franca.

Tanto para ler

Cooperativa de Letras


Eugênia Cabral
@eugeniamcabral

eugeniacabral@dedodemocaseditora.com.br

Já ouviu falar de cooperativa? Eu tenho muita vontade de participar de uma cooperativa financeira. São “bancos” de associações que geram juros e taxas para os próprios cooperados em vez de ir para os banqueiros. Ultimamente, convivendo mais no ambiente de moda também conheci várias iniciativas legais de cooperativas de costureiras, que estão abastecendo grandes marcas de uma forma sustentável.

As cooperativas são a união de uma categoria para trabalhar melhor e entrar no mercado como um bloco. Já pensou numa cooperativa de escritores? Se é tão caro imprimir nas gráficas, se é tão complicado divulgar, os escritores poderiam se unir para trabalhar isso, não?

O problema é que atualmente eu encontro dois tipos de escritores. A grande maioria tem trabalhos de 8 horas e escreve. E uma pequena parte vive da e para a arte. Enquanto o primeiro grupo não tem tempo o segundo está às vezes muito envolvido no próprio processo para se mobilizar.

Em países como Estados Unidos, há livros novos sendo vendido por 5 dólares, os chamados paperbacks, que são publicações em folha bem barata (quase estilo jornal) e de tamanho pequeno. Eles permitem que as edições estejam acessíveis à maior parte da população. Para quem quiser pagar mais, o volume hardcover é maior, com papel melhor e capa dura. Um jeito prático de desenvolver um produto que seja vendível.

A Rede Nordeste do Livro foi criada na Bienal de Livro do Ceará, em 2008, formada por gestores públicos, editores, livreiros e escritores. Também temos outros grupos no Ceará como o Fórum de Literatura e Leitura do Ceará e o sindicato das livrarias e editoras, Sindilivros/CE.

Da Rede, veio o Fórum da Rede Nordeste do Livro e da Leitura, que tem um blog (http://forumdeliteraturace.wordpress.com/) editado pela jornalista e escritora Luiza Helena Amorim. No blog, há informações sobre políticas públicas para literatura, balanços do setor e encontros. A Associação Cearense de Escritores (http://escritores-ce.blogspot.com/-ce.blogspot.com/) tem feito diversos concursos de conto e poesias, excelente espaço
para novos autores, e edita livros e folhetos.


Essa troca de informações e organização como um grupo unido dos que têm a pretensão de viver de livros no Nordeste é a única forma que eu vejo de pressionar o governo por incentivos culturais e, principalmente, fiscais. Iniciativas como eventos literários (como os citados em outros posts), abatimento de impostos e garantia de compra por prefeituras e Estado são os primeiros movimentos para o mercado literário nordestino deixar de consumir as pequenas publicações do Sul, que chegam aqui mais fácil que os escritos locais.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Incentivo à leitura

A Caravana da Leitura e do Autor Cearense, da Companhia Prisma de Artes, estará nesta sexta-feira (26.08) no bairro Dias Macedo. Essa será a última oportunidade do ano para que crianças de escolas públicas e privadas possam conhecer o projeto que tem como objetivo incentivar a leitura entre as crianças.

O evento vai acontecer durante toda a manhã na Praça Central do Bairro Dias Macedo. O endereço é Avenida Pedro Dantas, sem número, em frente à Escola Antonio Dias Macedo. Estarão presentes o escritor Almir Mota, o ilustrador e quadrinhista Guabiras e o Grupo Era Uma Vez.

A Companhia
No primeiro semestre de 2011, a Caravana da Leitura e do Autor Cearense esteve em seis praças de Fortaleza com a presença de quatro autores, dois grupos e dois contadores de histórias, sempre na última sexta-feira de cada mês.

Programação do dia 26.08
8:30 Oficina de quadrinho infantil – Guabiras
9:30 Conversa com Autor: Almir Mota
10:30 Contação de Historias com o Grupo Era uma vez...
11:00 Encerramento e entrega dos Kits de livros que compuseram o acervo do projeto, para as escolas parceiras que participaram da Caravana.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Tanto para ler

Leia e deixe ler 2



Eugênia Cabral
eugeniacabral@dedodemocaseditora.com.br
@eugeniamcabral

Voltando ao tema iniciado duas semanas atrás. Continuo pensando sobre os preconceitos literários. E falemos de Paulo Coelho. Sobre este autor, o que mais me espanta é que motivos levaram ao autor brasileiro mais vendido no mundo ser tão mal considerado pelos seus compatriotas. Carrego várias teorias.

A primeira vem do fato de Paulo Coelho ter surgido na mídia brasileira se vendendo como tudo, menos escritor. Era um “mago”. Que nos anos 80 fazia sentido e tinha uma fatia de mercado considerável. Mas com o tempo começou a ficar meio sem motivo de ser e um tanto quanto patético. Tanto que o próprio Coelho parou de falar sobre este assunto completamente. Levar a sério os livros de um mago é uma história difícil.

O segundo motivo é que ele uniu seu próprio nome com a já citada e mal afamada autoajuda. “Diário de um mago” foi um livro que eu comecei a ler e não tive a menor condição. Parei na hora que o livro me mandava imaginar que eu era uma árvore e fazer o movimento de crescer. Vou poupar quem me lê dos comentários que eu faria.

Então, a união dos poderes desses dois fatos fez com que Paulo Coelho se tornasse o mais execrado dos escritores brasileiros. Sua entrada na Academia Brasileira de Letras foi em geral ridicularizada. O que acho um desrespeito. Se não gosta da obra dele, esculhambe com ela, não precisa xingar o escritor.

Pelas minhas idas nessa área, além do “Diário” também não consegui ler o livro dele mais famosos de todos, “O Alquimista”. Mas li “Brida” e gostei muito. É a história de uma mulher que resolve virar wicana (bruxa) e vai entrando em contato com vidas passadas. Eu adoro o gênero fantasia, como “Senhor dos Anéis” e afins. Essa foi para mim uma história no clima “As brumas de Avalon”, da inglesa Marion Zimmer Bradley (que apesar de só escrever sobre  bruxas e a ilha mística de Avalon foi muito querida pelos britânicos).

“As Valquírias” foi outro que terminei. Achei cansativo e dei uma nota seis. Por fim, li “Veronika decide morrer”, que virou um filme com Sarah Michelle Gellar no papel da Veronika (a Buffy da série de TV para quem não lembrou). Foi dos três o que mais gostei. Em alguns momentos resvala no clichê, mas é uma história bem contada e interessante. Veronika resolve se matar porque tem uma vida vazia e sem sentido. Quando é internada em um hospital psiquiátrico (obrigatório para quem tenta suicídio em alguns países), ela descobre que tem os dias contatos e precisa lidar com isso.

Não li, mas um amigo leu e adorou “O Demônio e a Senhorita Prym”. Este mostra o que acontece quando o demônio oferece dez barras de ouro para uma cidade se alguém cometer um assassinato. Stephen King trabalhou com tema parecido em “A Tempestade do Século”, só que batendo mais forte no terror.

Bom, entre bons e maus livros do Paulo Coelho, acho que entendo muito mais alguém dizer “não gosto do gênero ficção”, ou “não gosto de fantasia”, que dizer “não suporto Paulo Coelho”. A não ser que você esteja falando daqueles primeiros livros do mago de 1980, não consegui achar nenhuma característica tão dele que a gente consiga instituir o gênero literário “Paulo Coelho”. Deixemos ler então nosso brasileiro mais famoso na literatura mundial. E, se você deixar mesmo de preconceito, quem sabe até se orgulha...